Candomblé, Umbanda e outras tradições afro-brasileiras estão presentes em diferentes regiões do país, com histórias, identidades e formas próprias de organização.

Não existe, porém, um único cadastro nacional capaz de responder de maneira simples quantos terreiros existem no Brasil. Diferentes iniciativas de mapeamento utilizam critérios distintos e nem todos os espaços religiosos estão formalmente registrados.

Essa diferença é importante.

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Um terreiro pode existir e exercer plenamente suas atividades religiosas e comunitárias sem necessariamente estar inserido em determinado cadastro administrativo. Por isso, números apresentados como se representassem a totalidade dos terreiros brasileiros precisam ser analisados com cuidado.

O que não deixa dúvida é o reconhecimento institucional dessas comunidades.

O Estado brasileiro reconhece os povos e comunidades de terreiro e de matriz africana como povos e comunidades tradicionais. O Ministério da Saúde, por exemplo, inclui povos e comunidades de terreiro na relação oficial de povos e comunidades tradicionais reconhecidos nacionalmente.

Em 2024, o governo federal instituiu a Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana. O decreto reconhece esses grupos como comunidades culturalmente diferenciadas, com formas próprias de organização social e conhecimentos transmitidos pela tradição.

Além da dimensão religiosa, os terreiros podem funcionar como espaços de memória, transmissão cultural, acolhimento, alimentação, educação e organização comunitária.

São territórios onde conhecimentos sobre música, dança, culinária, plantas, língua, ancestralidade e história podem ser preservados e transmitidos entre gerações.

Por isso, falar em terreiros é falar também sobre a formação do Brasil.

A diversidade dessas comunidades mostra que não existe uma experiência única de terreiro. Cada casa possui sua história, sua tradição, seus fundamentos e suas formas de relação com a comunidade.

Mais do que perguntar quantos terreiros existem, talvez seja importante perguntar: quantas histórias, memórias e formas de conhecimento estão sendo preservadas nesses espaços?