Durante muito tempo, o termo foi associado automaticamente ao mal, à magia negra e ao demônio. Essa interpretação, porém, não dá conta da diversidade das comunidades que utilizam a palavra para identificar seus caminhos religiosos.

No Rio Grande do Sul, a Quimbanda possui presença particularmente significativa. A pesquisa nacional sobre comunidades tradicionais de terreiro identificou a denominação entre as casas pesquisadas na região de Porto Alegre. 

Estudos sobre a Quimbanda gaúcha apontam sua relação com cultos a Exus e Pombagiras e mostram que ela possui organização ritual própria.

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O problema começa quando conceitos cristãos são utilizados para definir uma religião que possui outras referências.

Exu, por exemplo, não é simplesmente a representação brasileira do demônio. O significado de Exu varia de acordo com a tradição religiosa e o contexto em que o nome é utilizado.

Da mesma forma, Pombagira não pode ser reduzida aos estereótipos construídos historicamente sobre mulheres sexualizadas ou perigosas.

Compreender a Quimbanda exige abandonar caricaturas.

Isso não significa romantizar ou uniformizar suas práticas. Significa permitir que seus próprios praticantes sejam ouvidos.

No Afroxé, falar sobre Quimbanda também é falar sobre liberdade religiosa e sobre o direito de uma comunidade ser conhecida por aquilo que ela é, e não apenas pelos estereótipos construídos sobre ela