As religiões de matriz africana fazem parte da história e da cultura brasileira, mas ainda enfrentam preconceito e racismo religioso. Quando pessoas conhecidas falam publicamente sobre sua fé, ajudam a colocar em evidência uma realidade que muitas vezes permanece invisibilizada.

Selecionamos alguns famosos brasileiros que já falaram publicamente sobre sua relação com religiões de matriz africana.

Anitta

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A cantora Anitta é uma das artistas brasileiras que mais explicitamente tornou pública sua relação com o Candomblé.

Em 2024, após o lançamento do videoclipe de “Aceita”, que apresenta elementos de sua vivência religiosa, a cantora voltou a falar abertamente sobre sua fé. O trabalho provocou críticas de parte do público e também manifestações de intolerância religiosa.

Na ocasião, Anitta defendeu publicamente o respeito às religiões de matriz africana e afirmou que os ensinamentos e as pessoas dessas tradições merecem o mesmo respeito destinado às demais religiões.

Juliana Paes

A atriz Juliana Paes já contou em entrevistas que nasceu e foi criada na Umbanda.

Segundo seu próprio relato, sua avó era chefe de terreiro e foi por meio dela que teve suas primeiras experiências espirituais.

Ao longo da vida, Juliana também conheceu outras tradições religiosas. Em uma entrevista ao Gshow, explicou que sua trajetória espiritual passou pela Umbanda, pelo Budismo e pelo Kardecismo e que, atualmente, não faz distinção entre diferentes caminhos de fé.

Zeca Pagodinho

O sambista Zeca Pagodinho também é conhecido por sua relação com a Umbanda.

Em depoimento publicado no livro Zeca Pagodinho, religiões e subúrbio: uma pesquisa, do jornalista Carlos Monteiro, o cantor falou sobre sua relação com diferentes expressões religiosas e se definiu de maneira plural.

Zeca também é conhecido por sua devoção a Ogum e pela presença de referências às religiões de matriz africana em sua trajetória artística.

Bruno Gagliasso

O ator Bruno Gagliasso é outro nome que fala publicamente sobre sua ligação com o Candomblé.

Sua relação com a religião ganhou ainda mais visibilidade quando ele foi suspenso como Ogã de Oxóssi no terreiro Ilê Axé Opo Aganju, em Salvador.

Na ocasião, o ator publicou nas redes sociais a importância daquele momento e falou sobre a alegria de iniciar uma caminhada de aprendizado e axé.

Diogo Nogueira

O cantor Diogo Nogueira também aparece entre os artistas que demonstram publicamente sua relação com a cultura e a espiritualidade de matriz africana.

Sua trajetória artística é marcada pela presença do samba, gênero profundamente relacionado às tradições afro-brasileiras, e por referências aos orixás e à ancestralidade.

Em conteúdos publicados sobre o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o cantor aparece entre os famosos associados às religiões de matriz africana.

E Gilberto Gil?

Gilberto Gil merece um capítulo à parte.

O cantor possui uma relação histórica e profunda com o Candomblé e com a cultura dos orixás. Entretanto, existe uma diferença importante entre dizer que alguém frequenta uma tradição religiosa e afirmar que essa pessoa se declara oficialmente pertencente a ela.

O próprio Instituto Gilberto Gil registra que o artista frequenta o Candomblé há décadas, mas não se define como professante de uma crença específica. Em diferentes momentos, Gil também descreveu sua relação com a religião a partir de uma perspectiva cultural, filosófica e espiritual.

Por isso, a Afroxé prefere apresentar Gilberto Gil como uma personalidade profundamente ligada à cultura, à espiritualidade e às tradições afro-brasileiras, sem atribuir a ele uma identidade religiosa que o próprio artista não reivindica.

Fé também é identidade

A presença dessas personalidades ajuda a mostrar que as religiões de matriz africana estão presentes em diferentes segmentos da sociedade brasileira.

Mas existe uma questão ainda mais importante: ninguém deveria precisar ser famoso para ter sua fé respeitada.

A liberdade religiosa é um direito. O Candomblé, a Umbanda e outras tradições de matriz africana fazem parte da diversidade religiosa brasileira e devem ser tratadas com o mesmo respeito destinado às demais crenças.

Para quem vive sua fé publicamente, falar sobre religião pode ser também um ato de afirmação diante do racismo religioso.

E, para quem ainda conhece pouco sobre essas tradições, pode ser uma oportunidade de substituir o preconceito pelo conhecimento.