Lançado em 1966, Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius consolidou na obra de Baden Powell e Vinicius de Moraes uma produção musical marcada por referências à cultura afro-brasileira. O álbum reúne oito composições que incorporam elementos de diferentes manifestações culturais e religiosas presentes na formação da música brasileira.

A relação dos dois artistas com essas referências já fazia parte de suas trajetórias antes do lançamento do disco. A experiência de Baden Powell com manifestações culturais afro-brasileiras, especialmente durante suas passagens pela Bahia, esteve entre os elementos que contribuíram para a construção do repertório. Vinicius de Moraes também já havia desenvolvido, em sua produção artística, interesse por temas ligados à cultura e à religiosidade afro-brasileira.

Nesse contexto, Os Afro-Sambas não representa o início dessa relação, mas um momento de registro e aprofundamento dessas referências na produção musical dos dois artistas.

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O álbum foi lançado pela gravadora Forma e contou com a participação do Quarteto em Cy. Os arranjos e a regência ficaram a cargo do maestro Guerra-Peixe. O repertório reúne instrumentos característicos da música brasileira, como atabaques, afoxé, agogô e pandeiro, combinados ao violão e a outros instrumentos utilizados nos arranjos.

Entre as oito faixas estão “Canto de Ossanha”, “Canto de Xangô”, “Canto de Iemanjá” e “Lamento de Exu”, além de “Bocochê”, “Tempo de Amor”, “Canto do Caboclo Pedra Preta” e “Tristeza e Solidão”.

A presença de nomes de orixás e de outras referências religiosas nos títulos das composições evidencia a dimensão afro-brasileira do projeto. As músicas, no entanto, são obras da música popular brasileira e não registros de cantos litúrgicos.

“Canto de Ossanha” tornou-se uma das faixas mais conhecidas do álbum e recebeu, ao longo das décadas, interpretações de diferentes artistas. Entre eles está Emílio Santiago, que também registrou a composição.

O trabalho de Baden Powell e Vinicius de Moraes permanece como um marco da presença de referências afro-brasileiras na música popular brasileira da década de 1960 e ajuda a compreender como elementos dessas tradições passaram a ocupar diferentes espaços da produção cultural do país.