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A escolha de uma religião faz parte da liberdade individual. No Brasil, ninguém pode ser obrigado a seguir uma determinada crença, nem sofrer discriminação simplesmente por professar uma fé.
Essa proteção também alcança o ambiente de trabalho.
A Constituição Federal estabelece a liberdade de consciência e de crença e determina que o livre exercício dos cultos religiosos seja protegido. O texto constitucional também estabelece que ninguém pode ser privado de direitos por motivo de crença religiosa.
Na prática, isso significa que a religião de uma pessoa não deve ser utilizada como justificativa para impedir sua contratação, prejudicar sua carreira ou submetê-la a constrangimentos.
Comentários ofensivos sobre uma crença, pressão para abandonar práticas religiosas, tratamento diferenciado ou perseguições sistemáticas podem ultrapassar os limites de uma simples opinião.
E se a pessoa usa símbolos religiosos?
O uso de roupas, acessórios ou outros elementos relacionados à fé pode fazer parte da manifestação religiosa de uma pessoa.
Por isso, uma empresa não pode simplesmente presumir que determinado símbolo torna o trabalhador menos qualificado ou menos adequado para exercer uma função.
Existem, naturalmente, situações profissionais específicas em que normas de segurança, higiene ou outras exigências objetivas podem justificar determinadas restrições. Mas elas precisam estar baseadas em critérios legítimos e não em preconceito contra uma religião.
O problema está quando uma regra aparentemente neutra é aplicada apenas para impedir a manifestação de determinada crença.
E se o chefe fizer comentários?
Uma piada isolada já pode ser ofensiva, mas situações repetidas de humilhação, perseguição ou constrangimento podem assumir uma gravidade ainda maior.
Imagine, por exemplo, um funcionário que passa a ser chamado por apelidos pejorativos por causa de sua fé, que tem seus objetos religiosos ridicularizados ou que é pressionado a esconder sua religião para ser aceito pela equipe.
Essas situações não devem ser naturalizadas.
Também é importante guardar provas: mensagens, e-mails, documentos e outras informações que possam ajudar a demonstrar o que aconteceu. Testemunhas também podem ser relevantes.
O que fazer?
Quem se sentir discriminado pode buscar orientação junto ao sindicato de sua categoria, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública, advogado ou outros órgãos competentes, dependendo do caso.
A legislação brasileira possui instrumentos para combater a discriminação e proteger a liberdade religiosa.
O mais importante é não tratar o preconceito como algo que a vítima simplesmente precisa suportar.
Ter uma religião, mudar de religião ou não ter religião é uma escolha protegida pela liberdade de consciência.
No ambiente de trabalho, competência profissional não deveria ser medida pela fé de ninguém.
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